23 de dezembro de 2010

#61

Não sei bem porquê...se calhar a culpa é mais uma vez da crise mas não me parece que amanhã seja natal.
Não, se calhar a culpa é de quem decidiu dizer-me que o Pai Natal não existe! Mas a verdade é que ano após ano, cada vez compreendo menos esta época. Só percebo que ela serve para encher os centros comerciais, supermercados, e companhia até às chaminés.
Aproveito e digo-vos também que não gosto de mensagens de natal. Nunca gostei, e este ano ainda menos. Mas até tive sorte porque acho que ainda só recebi 3.
Se calhar ia gostar das mensagens de natal caso elas fossem dirigidas directamente à minha pessoa, recheadas de criatividade e que me pudessem fazer sentir algo a não ser a vontade de desistir de ler a mensagem a meio. E que principalmente não dissessem no fim: "Passa esta mensagem a todos os que queres ver sorrir nesta época tão bonita!" ou coisa desse género...Vocês já sabem do que estou a falar, aposto que também receberam coisas destas.
Com isto vos quero dizer que, desejo um bom natal por uma questão de boa educação e de respeito a todos que o querem.


5 de dezembro de 2010

#60





Quem me dera que a chuva que cai lá fora, fosse vermelha.
Faz muito tempo que à minha volta a chuva continua transparente e sem grande significado.
Se chovesse vermelho, eu arriscaria-me a andar à chuva e a apanhar uma valente gripe.
Faz muito tempo que não me sinto doente.

#59

Eu costumava pensar que a vida andava devagarinho, que cada dia durava muito e que não era preciso ter pressa. Mas agora parece que corro, parece que tudo corre e nada corre devagar. E ainda por cima, não percebo porquê.
Só sei que umas vezes olho para trás e penso que foi ontem, mas já foi à meses. E outras vezes tenho a sensação que já foi à semanas e afinal foi só à três dias. Não tenho bem a noção do tempo e nem sei onde a deixei.
Se calhar perdi-a no meio da minha tralha. Ouvi dizer que também acontece a muito boa gente.

#58

Se cada letra do teu nome me viesse sussurrar que o teu nome é só teu, mas que o vais partilhar...Eu respondia baixinho e sem dar nas vistas que eu não gosto de marcar, nem sequer de ter horas previstas.
Iria faltar por falta de vontade. E não porque não sou pontual. Mas também não te dizia a verdade, não porque te quero mal. A verdade sabe-a o vento, ele viu como eu te queria.
Ia faltar ao teu casamento, por estar lá outra no meu dia.

30 de novembro de 2010

#57

Se tenho de levar com este frio todo, 
ao menos que me dessem neve!

#56

Eu sou bem capaz de sorrir e tal, trocar uns olhares assim para o atrevido e mesmo assim, ficar indiferente. Tu também.
Sou bem capaz de de trocar pontos de interrogação por pontos finais e ficar satisfeita com isso. Tu também.
Mas se tivéssemos mais perguntas, em vez de respostas as coisas seriam bem mais divertidas.
E com isto quero dizer, que é tão difícil apaixonar-mo-nos à primeira vista como arranjar amigos para a vida inteira. O segundo já vou tendo. Um grupo pequeno, muito entranhado, sem nada a acrescentar. Não é facil fazer amigos. Principalmente daqueles que nos aceitam tal e qual como somos, e que ainda nos tentam desculpar quando dizemos asneiras à mesa de um restaurante muito chique. Até à altura em que nos vem a sensação de que não pertencemos ali; que aquele não é o nosso habitat natural - como se fôssemos macacos dentro de um palácio - e vamos embora, da mesma maneira que chegamos. Todos juntos.
E acreditem que isso me faz faz muito mais feliz do que 3 ou 4 amores à primeira vista.
Sou bem capaz de entrar numa loja, roubar uns pares de anéis só porque me apetece e a seguir beber um café ou dois porque me apetecia qualquer coisa quente e fazer uns quantos xixis no canteiro do centro comercial só porque estava uma pessoa a minha frente na fila para a casa de banho. Tu também.

E com tudo isto, quero dizer, que podemos ter tudo o que nos apetecer; mas se não tivermos ninguém que se ria connosco quando contarmos, de que é que me vale roubar os anéis? Não é fácil manter os amigos.
São piores do que as flores. Mas mais amáveis.

27 de novembro de 2010

#55

-Como é que estás?
Um bocado desnorteada, mas cá me arranjo.Ok, tenho um problema: devia ter quatro olhos e quatro inteligências; jeito para alguma coisa que não fosse coisa nenhuma; vontade de ser mais qualquer coisa do que aquilo que sou; mas como disse, cá me arranjo.
Descosem-se umas virtudes ali e fazemos dois ou três remendos por cima. O ouro que uso, não é defeito. É feitio. E se misturo o ouro com a prata, com a roupa, com o cabelo e alguma pele é porque quero. Porque me esqueço que não é de bom gosto misturar ganga com ganga, mas eu faço-o à mesma, que não é de gente normal usar meias brancas por fora das calças. Repito: não é de gente normal, mas quem o faz que o faça por gosto e não porque sabe bem ter olhos postos em nós. 
 Falando em olhos, não têm por aí outros que me arranjem? É que estes que me deram têm tendência para piorar tudo, triplicar os problemas e chorar muito pelas pessoas. Se tiverem, podem ser azuis ou melhor, de uma cor fora do normal, porque para normal já me basta o facto de eu ter mãos e pés como toda a gente.
Quero ter coragem de ter o cabelo curto porque não quero apanhar aqueles tiques de puxar o cabelo comprido para trás e enrolá-lo e desenrolá-lo, fazer-lhes jeitos com a mão ou outra série de coisas que vejo que se faz a um cabelo comprido.
-Porque é que não o cortas como um menino? Tu com esse jeito, mais pareces um rapaz, juntas o útil ao agradável e transformas-te de vez.
-O problema é que no fundo, eu gosto muito de ser mulher.
-Que novidade, que coisa boa de se dizer! Era o que cá faltava, outra mulher que adora sê-lo.
-Olha, o que há pouco é pessoas que gostam do que são e nisso eu tenho culpa, gosto disso porque não tenho outro remédio; gosto disso porque apesar de tudo me divirto assim, sou o meu recreio e o meu baloiço. Porque é que vocês não vêm brincar comigo?