31 de março de 2010

#18

Não se trata de falta de auto-estima, mas sou uma cebola.
E tu também.
Temos camadas, descascas-me e vais-me conhecendo. 
Mas simplesmente, existem camadas minhas que não mereces conhecer.

i ' m s u c h a f o o l f o r y o u.

Mas o ridículo é esta minha estupidez. 
Querer-me mostrar, mas sentir vontade de me esconder quando a ti nem te apetece conhecer-me.
Só porque sim. Assim.

y o u ' r e s u c h a f o o l f o r m e

10 de março de 2010

#17

O passado deve sempre ficar onde ele próprio diz onde ficar; no passado.
O presente tem de ser vivido como se de uma prenda se tratasse; sem ressentimentos e sem expectativas.
Tudo pode virar ao contrário quando se vive no presente as saudades do passado.
O maior erro foi nunca ter aceite que qualquer coisa, independetemente da sua importância em determinado momento, um dia acaba...
E se um dia acaba, ficam as saudades.
Há sempre algo que pode ser feito: esquecer as saudades, aceitá-las e fazer por matá-las ou viver com elas.
O maior erro foi querer viver com as saudades e não lutar contra elas e destrui-las.
Como não as destrui, fui sempre admirando o quão bonitos um dia fomos.
Mas podia ter feito algo: arrancar a folha branca do cavalete que tinha a pintura borrada e começar numa nova folha, uma nova pintura.
O maior erro foi querer começar sempre uma pintura nova mas sempre com as mesmas cores.
Se usei as mesmas cores, recomecei uma nova pintura mas que sabia que iria sair borrada novamente.
Havia de novo algo que podia ter feito: recomeçar a pintura mais uma vez!
O maior erro foi esquecer-me que a pintura se tratava de um Coração.
E como se tratava de um Coração, percebi que nunca devia ter usado a pintura.
Reparei que deveria ter desde sempre, ter feito outra coisa: usar cola!
Colar todos os cacos que fui causando.
Mas não o fiz, e este sim...Foi o maior erro.

Gostava que esta história não tivesse nem vítimas nem vilões;
Mas foram demasiados erros.


Podes voar. 
Desculpa. 


 

#16

As cartas de amor deixam de ser escritas em papel quando o Amor vira uma cruz.
Passam a escrever-se no peito sem que ninguém as ame. Sem que haja vento que as leve ou até mesmo força que as arranque; sem que o tempo as feche em envelopes selados...
As palavras começam a exigir de nós a força que tínhamos, mas que já perdemos. 
Talvez, as dores que existem nos destroços do meu peito sejam apenas cartas de amor solitário que choram destinatários inexistentes.

7 de março de 2010

#15

Grito interior de aborrecimento.
Ás vezes é preciso evoluir, deixar para trás a face que até hoje tinhamos usado.
Crescer e reparar que há mais vida para além das barreiras da fantasia que temos vindo a construir.
Reparar que se calhar é por isto que sentimos falta de alguém ao nosso redor.
No fundo, talvez as pessoas vão querer lá estar quando crescermos.
Ou então precisamos renovar os nossos ciclos e ver outros mundos, também eles divertidos e inexistentes, dentro das pessoas para as quais tantas vezes simplesmente olhamos.
Precisamos viver mais o sorriso dos outros e não querer apenas viver do nosso próprio sorriso.
O brilho que temos é para os outros reconhecerem e um dia dizerem-nos que nos admiram por isso, mas não é correcto sentir apenas que estamos a brilhar naquele momento e reparar que alguém ao nosso lado tem a sua lâmpada fundida.
Hoje precisei que enroscassem a minha lâmpada;
mas não o souberam fazer, ficaram apenas a brilhar.

1 de março de 2010

#14



Só queria que me deixasses voar.
Preciso levitar e deixar esta terra que me esfria os pés e o coração.
Não me soltas, não me deixas;
nem que seja por uma altura de 5 dedos, deixa-me sonhar!



#13

Tocaste à porta. Era de noite.
Ainda ensonado abri a porta e fiquei a ver-te sorrir para mim.O sorriso que iluminava o mais triste dia de chuva.
Podia jurar que estavas mais bela que nunca...
Formosa, dobras-te o teu corpo e deixas-te um caixa de madeira junto aos teus pés.
Madeira simples, sem flores, sem desenhos, sem gravuras, sem nada. Apenas uma caixa.
Ficámos a olhar para o fundo de cada um de nós durante uns breves 4 segundos.
Depois, viraste costas e desapareceste. O rodar do teu vestido amarelo espalhou o teu doce perfume.
Fiquei a ver-te partir, não te impedi.
Quando deixei de ver a tua silhueta, peguei na caixa e abri-a.
No seu interior, só havia um bilhete... Que com uma letra foleira, escrita com uma caneta preta dizia:
"Foi a tua última chance para me convidares a entrar, não o fizeste... Quero apenas dizer-te uma coisa - Saudades - não te esqueças que a Felicidade só toca uma vez à porta."
Não imaginas como me senti. Tudo o que me apeteceu dizer-te iria ocupar mais que um oceano.
Mas apenas gritei pelo facto de o amarelo te ficar muito mal...