25 de junho de 2010

#37

Alimento esperanças na incerteza do teu chegar. 
O caminho é longo, mas eu deixei-me entrar nesta aventura porque não te quero perder.
O medo de perder, de te perder, de me perderes, de nos perdermos um do outro aumenta com cada passo que damos. Com cada dia que passa.
Continuo a amar-te ou será que amo a ideia de nós os dois, juntos, na descoberta de um mundo que só nós dois criámos? Não, Amo-te!
Deste-me a liberdade e a ti deram-te a prisão. E foi esta a maior injustiça no nosso Amor.
Quando é que sabemos se isto é o que está certo? Como é que sabemos que o nosso amor é suficiente para suportar isto? 
O caminho parece persistir diante de nós, vamos continuar a precisar da força que temos tido e usado. 
Estarás mesmo tu disposto a continuar com este amor? Estarei eu?
Não sei. O que sei é que te levaram. E que te Amo!
Eu não consigo suportar esta dor, apenas me limito a habituar-me à vida que me deixaram. (Ou deverei dizer roubaram?)
Faço perguntas a mim mesma que teimam em não terem uma resposta. Mas é a única coisa que eu neste momento consigo fazer.
Dizem por aí que o tempo cura tudo. Tenho medo que nos cure a nós também. Tenho medo de olhar-te novamente nos olhos e não ver a pessoa que aqui me deixou. Ver um alguém novo, que vou querer conhecer de certeza mas de que terei medo de hesitar o toque, o beijo, o abraço, o respirar. 
Mas quero-te aqui, rápido. O mais rápido que puderes. O mais rápido que der.
Porque sem ti, tudo está complicado...

Esta história de Amor, não é a minha nem é a tua.
É a dela: Rasas.

#36

É mau,
Sabermos que o melhor momento não foi vivido connosco;
É difícil,
Não conseguir mudar esse facto;
É muito mau,
Não querer mudar isso;
Mas é péssimo,
Descobrir que afinal não foi a nós que nos amaram.

Serão mentiras ou uma necessidade enorme de tu te sentires amado?

José Saramago

"Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu."

Para alguns, existem dias que são o início; o fim para outros; e apenas mais um para a maioria. As memórias tornam possível a imortalidade e por isso, no dia seguinte ninguém morreu.

 José Saramago
1922 - 2010  

17 de junho de 2010

#35

É triste descobrir que preciso dos vossos sorrisos para esconder a minha infelicidade.

15 de junho de 2010

#34



Gosto demasiado de ti.

#33

Houve um dia em que eu acordei e acordámos todos. Naquele dia percebi que nunca senti ou li o que vi naquele dia. Naquele dia, as árvores eram cores e o céu era a lua. A luz, era vida. Então eu perguntei ao tempo porque é que ele andava assim... esquizofrénico e porque é que não atinava: ou fazia só sol ou só chuva. 
Ele respondeu-me apesar de eu não esperar resposta. Disse-me que acompanhava os dias, e que normalmente era fiel ao que era um dia, mas naquele dia ele decidiu não ser fiel a nada, era fiel apenas a si próprio e à confusão mental que não conseguia expressar. Tentou. E ao expressa-la decidiu que fazia ora sol ora chuva, de meia em meia hora. Ou menos até.
Questionei-me: Isso não acontece também comigo? Acontece. Mas eu um dia acordei e percebi porque é que isso acontece. E decidi ser fiel ao dia e ao tempo, ao tempo e ao dia. E naquele dia eu fui fiel ao que conheci e ao que conheço que vem de mim. E eu sei o que vem... Sabia. Sei. Sempre soube. 
Como se de repente, as peças do puzzle se juntassem e assim se fizesse o homem. Ou a mulher. 
E sabemos todos. Porque um dia eu acordei e acordámos todos: para ver o tempo virar esquizofrénico como nós.


#32



Alguém me explica como é que sabemos que realmente pusemos fim a uma coisa?

#31

Há uma coisa que te quero contar: eu juro que tentei!
Tentei... Tentei confiar em mim, outra vez. E magoei-nos. 
Mas também juro que por mais que tentasse, eras tu e as palavras que detesto...tu de mãos dadas a elas. Tu e as palavras caras aos beijos num banco! Eras tu a olhar para mim e a não me perceberes. Era eu a não fazer esforço nenhum para falarmos a mesma língua. Juro que não fiz.
Outra coisa que te quero contar: juro-te que não me vais perceber mais. Eu olhei para dentro da tua cabeça, ás escondidas, e não encontrei nada daquilo que queria. Procurei saudade e só encontrei papel, procurei confiança e o que encontrei foram chamadas não atendidas, e provavelmente nenhuma era para mim.
Não sei, mas não me apeteceu procurar mais...
E é claro que me podes ver os olhos, mas se eu não deixar não me verás a alma.