15 de junho de 2010

#33

Houve um dia em que eu acordei e acordámos todos. Naquele dia percebi que nunca senti ou li o que vi naquele dia. Naquele dia, as árvores eram cores e o céu era a lua. A luz, era vida. Então eu perguntei ao tempo porque é que ele andava assim... esquizofrénico e porque é que não atinava: ou fazia só sol ou só chuva. 
Ele respondeu-me apesar de eu não esperar resposta. Disse-me que acompanhava os dias, e que normalmente era fiel ao que era um dia, mas naquele dia ele decidiu não ser fiel a nada, era fiel apenas a si próprio e à confusão mental que não conseguia expressar. Tentou. E ao expressa-la decidiu que fazia ora sol ora chuva, de meia em meia hora. Ou menos até.
Questionei-me: Isso não acontece também comigo? Acontece. Mas eu um dia acordei e percebi porque é que isso acontece. E decidi ser fiel ao dia e ao tempo, ao tempo e ao dia. E naquele dia eu fui fiel ao que conheci e ao que conheço que vem de mim. E eu sei o que vem... Sabia. Sei. Sempre soube. 
Como se de repente, as peças do puzzle se juntassem e assim se fizesse o homem. Ou a mulher. 
E sabemos todos. Porque um dia eu acordei e acordámos todos: para ver o tempo virar esquizofrénico como nós.