Se tenho de levar com este frio todo,
ao menos que me dessem neve!
30 de novembro de 2010
#56
Eu sou bem capaz de sorrir e tal, trocar uns olhares assim para o atrevido e mesmo assim, ficar indiferente. Tu também.
Sou bem capaz de de trocar pontos de interrogação por pontos finais e ficar satisfeita com isso. Tu também.
Mas se tivéssemos mais perguntas, em vez de respostas as coisas seriam bem mais divertidas.
E com isto quero dizer, que é tão difícil apaixonar-mo-nos à primeira vista como arranjar amigos para a vida inteira. O segundo já vou tendo. Um grupo pequeno, muito entranhado, sem nada a acrescentar. Não é facil fazer amigos. Principalmente daqueles que nos aceitam tal e qual como somos, e que ainda nos tentam desculpar quando dizemos asneiras à mesa de um restaurante muito chique. Até à altura em que nos vem a sensação de que não pertencemos ali; que aquele não é o nosso habitat natural - como se fôssemos macacos dentro de um palácio - e vamos embora, da mesma maneira que chegamos. Todos juntos.
E acreditem que isso me faz faz muito mais feliz do que 3 ou 4 amores à primeira vista.
Sou bem capaz de entrar numa loja, roubar uns pares de anéis só porque me apetece e a seguir beber um café ou dois porque me apetecia qualquer coisa quente e fazer uns quantos xixis no canteiro do centro comercial só porque estava uma pessoa a minha frente na fila para a casa de banho. Tu também.
E com tudo isto, quero dizer, que podemos ter tudo o que nos apetecer; mas se não tivermos ninguém que se ria connosco quando contarmos, de que é que me vale roubar os anéis? Não é fácil manter os amigos.
São piores do que as flores. Mas mais amáveis.27 de novembro de 2010
#55
-Como é que estás?
Um bocado desnorteada, mas cá me arranjo.Ok, tenho um problema: devia ter quatro olhos e quatro inteligências; jeito para alguma coisa que não fosse coisa nenhuma; vontade de ser mais qualquer coisa do que aquilo que sou; mas como disse, cá me arranjo.
Descosem-se umas virtudes ali e fazemos dois ou três remendos por cima. O ouro que uso, não é defeito. É feitio. E se misturo o ouro com a prata, com a roupa, com o cabelo e alguma pele é porque quero. Porque me esqueço que não é de bom gosto misturar ganga com ganga, mas eu faço-o à mesma, que não é de gente normal usar meias brancas por fora das calças. Repito: não é de gente normal, mas quem o faz que o faça por gosto e não porque sabe bem ter olhos postos em nós.
Falando em olhos, não têm por aí outros que me arranjem? É que estes que me deram têm tendência para piorar tudo, triplicar os problemas e chorar muito pelas pessoas. Se tiverem, podem ser azuis ou melhor, de uma cor fora do normal, porque para normal já me basta o facto de eu ter mãos e pés como toda a gente.
Quero ter coragem de ter o cabelo curto porque não quero apanhar aqueles tiques de puxar o cabelo comprido para trás e enrolá-lo e desenrolá-lo, fazer-lhes jeitos com a mão ou outra série de coisas que vejo que se faz a um cabelo comprido.
-Porque é que não o cortas como um menino? Tu com esse jeito, mais pareces um rapaz, juntas o útil ao agradável e transformas-te de vez.
-O problema é que no fundo, eu gosto muito de ser mulher.
-Que novidade, que coisa boa de se dizer! Era o que cá faltava, outra mulher que adora sê-lo.
-Olha, o que há pouco é pessoas que gostam do que são e nisso eu tenho culpa, gosto disso porque não tenho outro remédio; gosto disso porque apesar de tudo me divirto assim, sou o meu recreio e o meu baloiço. Porque é que vocês não vêm brincar comigo?26 de novembro de 2010
#53
Até podia querer justificar a minha ausência aqui por estes lados, mas a verdade é que não tenho tido muito para dizer. Escrevo ocasionalmente, uma coisa ou outra; coisas sem muito sentido. Mas confesso que também tenho sentido a minha falta. E agora escrevo, com o objectivo de me preencher mais um bocadinho, de escrever coisas com sentido para mim e talvez quem sabe, para outras pessoas com pouca sanidade mental, é para isso que acho que existo. Não quero apenas descarregar as minhas alucinações, fico na expectativa que alguém alucine tanto ou pelo menos sobre o mesmo que eu.
Acho que preciso de uma injecção de confiança. De uma mudança - pode ser pequena -. Olhem! Conheço uma rapariga que cortou o cabelo, comprou uns sapatos novos e até tem em vista um casaco. Ela conversou com os seus amigos mais próximos e eles disseram para ela ganhar juízo e ser mais atenciosa com as pessoas, para se preocupar com as questões do mundo, cortar no uso do papel e começar a escrever nas paredes. Ela até já nem come carne. Cada vez gosta mais da chuva, dos avós e isso. E eu, em que é que posso mudar? Vou pintar-me de azul? Nah, de vermelho? Posso pôr um fundo com passarinhos ou outra coisa poética? Não sou dessas. Não sou obcecada com o mundo.
Tenho é de me manter séria até ao fim e fiel a mim mesmo. Mas e agora?
E se a minha confiança passa por imitar aquela rapariga e ser confiante o suficiente para me mudar e mesmo assim, continuar igual a mim própria?
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