29 de janeiro de 2010

#8

Depois de tanto tempo, em que tudo estava a correr perfeito...
Ele fê-lo!
A reacção dela foi dominada pela surpresa.
Depois de tanto tempo, ele já a deveria conhecer!
A seguir à surpresa, ela magoada respondeu:
- Não te disse já, para não me ofereces flores?!
Podia ter sido o nosso fim...

(Foi mesmo!)

27 de janeiro de 2010

#7

Ele estava sempre ali, pronto para animar qualquer ser que se sentisse abandonado.
Todos o procuravam, todos queriam conhecê-lo.
Queriam todos emoções. Então, procuravam-no.
Mas quando o encontravam, limitavam-se a divertirem-se.
Apesar de se lembrarem dele, esqueciam-se sempre da sua existência.
Passados vários anos, ele disse:
-Hoje vou pensar em mim e procurar o sítio perfeito, onde possam reparar na minha existência e dar-me a vida que necessito. Não sou egoísta, mas foram muitos os anos em que vivi para dar vida a outros, hoje é o dia de escapar. Uma espécie de Aniversário.
Quando o plano já estava traçado, ele pensou: "Se for sozinho, continuarei sem vida."
E então, libertou todos os seus amigos e foi celebrar o seu aniversário. E de todos os outros.
E naquela terra, tão distante, encontrou o Amor da (sua) Vida.

#6




Existem dias em que nos sentimos capazes de controlar o Mundo.
Brincar com objectos que não nos pertencem, como se de uma coisa responsável e correcta se tratasse.
E depois vemos as pessoas, de cara triste e amargurada.
Todas sem cor, sem felicidade como se estivessem a ver o negro do Infinito.
Quando acordamos assim, não entendemos o porquê das outras pessoas viverem o seu mundo cinzento. Criticamos e por vezes, até perdemos a paciência.
Mas esquecemo-nos sempre que Ontem estivemos tão ou mais cinzentos que as outras pessoas que Hoje vemos.

23 de janeiro de 2010

#5

Sempre me questionei acerca da razão pela qual as cores da pasta de dentes não se misturam quando saem do pacote...
Se calhar é por isso que tu e eu não ficamos juntos.



17 de janeiro de 2010

#4

Ás vezes tentas ser rei de um reinado existente.
Só porque sim, só porque queres e pensas que podes.
Não és rei de nada, nem do nada que tens.
Não tens porque não.
Não tens porque nunca quiseste, nunca lutaste, nunca pediste, na verdade nunca desejaste.
Mas a rua está vazia agora e estende-te o tapete vermelho. É a tua hora de brilhar.
É a hora do perdão, podes renascer.
(...)
Porque receias? Porque temes?
Acho que hoje entendeste o rei do nada que és...
E por isso, desististe.

16 de janeiro de 2010

#3

Um dia deixaste-me.

Eu perguntei porquê, porque eu senti que te tinha dado tudo...
Os conformistas dizem por aí que "Errar é humano".
Será?
É que os erros (Sim! Os erros. Teus e meus.)... Tornaram a nossa vida errada.
Mas agora relembra-me:
foste tu que me deixaste ou fui eu que te deixei ir?

#2

Necessidade.
Disto e daquilo. E ainda mais.
De um abraço. De um mimo. De uma gargalhada. De um toque. De um sorriso.
De um olhar.
Sei que existes mas na verdade nem te conheço. Não tenho pressas, não forço.
Não me preocupo em demasia. Só o suficiente.
Anseio a tua voz e o teu olhar. O teu olhar.
Não te quero, mas sinto-te.
Também não pressiono, mas necessito de ti.


14 de janeiro de 2010

#1

Faz frio lá fora.
Sinto a rua vazia. Apenas cheia de luzes.
Oiço o barulho de carros mas não vejo os condutores e nem sequer está nevoeiro.
Não entendo a transparência. Para que serve ela, se ainda continuamos com todos os outros sentidos?

Lá dentro está quente, tal como um café com leite.
Mas a transparência persiste mesmo assim. Cruzamo-nos, mas não cruzamos olhares.
No rádio toca uma música antiga que nos faz sentir saudade, conseguimos sentir o cheiro a nossa casa e queremos ficar.
Contudo, não sentimos a textura de nada porque nem sequer trocámos olhares.