Faz frio lá fora. Sinto a rua vazia. Apenas cheia de luzes.
Oiço o barulho de carros mas não vejo os condutores e nem sequer está nevoeiro.
Não entendo a transparência. Para que serve ela, se ainda continuamos com todos os outros sentidos?
Lá dentro está quente, tal como um café com leite.
Mas a transparência persiste mesmo assim. Cruzamo-nos, mas não cruzamos olhares.
No rádio toca uma música antiga que nos faz sentir saudade, conseguimos sentir o cheiro a nossa casa e queremos ficar.
Contudo, não sentimos a textura de nada porque nem sequer trocámos olhares.